terça-feira, 26 de abril de 2011

Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Sentada eu, na pedra fria, estava só. Sem vento, sem estrela, sem lua, somente com o breu da noite. Pessoas passavam por mim, me olhavam, acredito que não viam nada, já que meu rosto expressava o mais puro vazio.
Vazio de sentimentos, de cor, de qualquer coisa. Vazio. Estava imóvel; pernas cruzadas, enrijecidas pelo frio; tronco curvo; cabelos antes sempre esvoaçantes com o vento, parados, caídos sobre meus ombros e minha face; apenas mãos que brincavam uma com a outra e meus olhos que rondavam a minha volta - em movimentos de segurança - se moviam.
Esperava alguém vir, eu sabia que quem eu queria não poderia chegar até mim. Mas ainda sim, o procurava em meio às árvores e bancos da praça a minha frente, a qual olhava fixamente. É incrível, como as razões do coração são tão diferentes da razão.



Voltarei a ver a luz

Já sentiu o seu próprio cheiro?
Não sinto meu cheiro, ele tem cheiro de nada
E agora, por algum motivo sinto o teu cheiro entranhado em minha pele
O gosto do teu beijo está na minha boca, como um veneno doce
Aquele último abraço ainda me aquece
Ah, teus braços quentes e maldosos
Não tive coragem de olhar para trás em nossa despedida
Precisava ir sem demora, já era tarde, não podia mais ficar
Seus olhos me fizeram sentir culpada por ir
Eu voltarei, tenha certeza
Não aguentarei muito tempo sem a tua paixão

Agora me vejo só, rumo a um lugar desconhecido
Vou rumo à escuridão
e o que me resta é a noite
Degustar o sabor amargo da solidão
Perder-me entre os dedos sujos do breu
Ver o último raio de luz e esperança nos olhos daquelas pobres crianças
Sentir o último calafrio e fechar os olhos
Pensando na noite que da escuridão se fará luz
Que a dor e a angústia se farão prazer
Pensando na noite que voltarei para lhe amar

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