segunda-feira, 14 de março de 2011

“UMA MENTE INQUIETA”
Uma Mente Inquieta é um testemunho pessoal de Kay Redfield Jamison, autoridade
internacional na doença Maníaco-Depressiva – hoje, mais conhecida como
Transtorno Afetivo Bipolar, Transtorno Bipolar do Humor ou, simplesmente,
Transtorno Bipolar – que além de ser uma das poucas mulheres catedráticas de
medicina em universidades norte-americanas é portadora da doença.
Aos dezessete anos, Kay sofreu seu primeiro ataque maníaco-depressivo, o livro
narra a guerra da autora contra a doença, seu medo de renunciar às animações
inebriantes das fases maníacas e a sua crença firmemente enraizada de que deveria
enfrentar a doença sem medicação.
“Um mês após ter assinado o contrato que me nomeava para professoraassistente
de psiquiatria na Universidade da Califórnia, Los Angeles, eu estava a
meio caminho da loucura. Era 1974, e eu estava com vinte e oito anos. Em três
meses, eu estava maníaca a ponto de não me reconhecer e apenas começava
minha longa e custosa guerra particular com um medicamento que, depois de
alguns anos, eu recomendaria com firmeza a outros. Minha doença bem como
minhas batalhas com a droga que acabaria por salvar a minha vida e restaurar
minha sanidade, vinha se formando há anos.
Desde minhas lembranças mais remotas, eu era propensa a inconstâncias de
humor de uma forma assustadora, embora freqüentemente maravilhosa. Criança
de emoções intensas, volúvel quando menina, a princípio gravemente deprimida
na adolescência, e depois presa sem trégua aos ciclos da doença maníacodepressiva
na época em que comecei minha vida profissional, tornei-me por
necessidade e por inclinação intelectual uma estudiosa das alternâncias de
humor. É o único meio que conheço para compreender, na verdade para aceitar,
a doença que tenho. Também é o único meio que conheço para tentar exercer
alguma influência nas vidas de outros que também sofrem de transtornos do
humor. A doença que, em algumas ocasiões, quase me matou acaba matando
dezenas de milhares de pessoas a cada ano. A maioria é jovem; a maioria morre
sem necessidade; e muitos estão entre os membros mais talentosos e criativos
que nós, enquanto sociedade temos.
[...]

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